“Querido amigo, Se não tenho falado com quase ninguém, isto não é um “silêncio arrogante” mas, ao contrário, um silêncio bastante humilde, de um sofredor envergonhado em revelar o quanto sofre. Um animal rasteja para seu esconderijo quando está doente, e assim também faz la bête philosophe. Quão raramente uma voz amiga chega até mim! Estou agora só, absurdamente só. E no curso de minha guerra subversiva contra todo o homem que até agora tem sido respeitado e amado, eu mesmo me tornei sem perceber uma espécie de esconderijo, algo oculto, que você não poderá mais achar mesmo se for até lá procurá-lo, mas é claro que ninguém o faz. Confidencio que não é impossível que eu seja o principal filósofo desta era, e mesmo um pouco mais que isso, algo decisivo e fatal permanecendo entre dois milênios. Alguém nesta singular posição é constantemente obrigado a pagar com uma crescente, ainda mais glacial e aguda solidão. Nossos amados alemães! Não obstante eu esteja agora em meu quadragésimo quinto ano e tenha publicado cerca de quinze livros, eles não apresentaram nem ao menos uma crítica minimamente decente de meus livros. Recorrem agora a expressões como “excêntrico”, “patológico”, “mentalmente perturbado”. E por anos nenhuma palavra de conforto, nem um pingo de sentimento humano, nem um alento de amor.
—
Friedrich Nietzsche. (via
delator)
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éramos covardes, porque queríamos viver.
não tínhamos, propriamente, amor pela vida,
mas, ainda assim, queríamos viver.
charles bukowski
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“Lágrimas não são argumentos.
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“Eu me sinto uma estrela com 100 milhões de anos que começa a desaparecer no céu conforme a morte vai lhe sugando a luz. Eu sou uma partícula luminosa que se arrasta pelo universo procurando em vão por outra partícula luminosa que se sinta tão esgotada quando eu. Dizem que se o interior de uma estrela for três vezes maior que o do Sol, ela estará fadada a se tornar um enorme buraco negro que irá devorar tudo ao seu redor. Eu tenho medo de me tornar assim. Alguns sintomas já podem ser visto crescendo sobre a minha pele. Porque sabe, eu não sei lidar com o pouco que os outros têm a oferecer. Eu não sei ser pequena enquanto eles se tornam os donos do mundo com o que eu dei a eles. Eu não sei viver com o seu quase amor, com a metade do que você é feito só pra que assim você se sinta inteiro. Eu não aceito que você deposite em mim apenas o suficiente para te fazer ter um viver momentâneo. Porque uma hora você se cansa e leva o que deixou fazendo com que eu fiquei com menos da metade do que eu era. Levando partes minhas que nem era suas, mas que não queriam existir em mim sem a tua presença. Eu tenho devorado pessoas. Devora o interior delas, no intuito de fazê-las sentir a minha presença em seus corpos. Entretanto, percebi que a minha presença não é algo que mereça cuidado. Eles não se importam que eu fique dentro deles, desde que eu não fique me movimentando e exigindo um pouco de ternura, carinho, amor. Quando isso acontece, eles me colocam pra fora. Eu tento ficar quietinho. Eu tento não fazer nenhum barulho. Mas tem vezes que eu me sinto tão sozinho. E é um lugar tão imenso, que eu fico com medo de ser esquecido. Daí eu faço uma pequena agitação, só pra eles perceberem que eu tô vivinho da silva e que posso ser útil. Que eu tenho muito a oferecer. Que eu tô bem aqui e que pode aparecer a qualquer hora. Eu vou sempre estar por perto. Eu tenho um monte de coisas pra lhe mostrar. Dentro de mim cabe o que você quiser ser. Mas você, eles, o resto do mundo, nunca demonstram curiosidade em conhecer. Às vezes eu consigo ignorar. E fico todo orgulho que sei ser igual a todo mundo que não faz questão de saber quem você é. E sinto que se eles conseguem viver assim, porque eu não? Mas a gente se esquece, principalmente pessoas que são tão imensas quanto eu, que não dá gente deixar de lado o que somos. Que não podemos abandonar o nosso interior e fazer o que as pessoas fizeram com a gente e fazem umas com as outras. Eu fico muito triste nessas horas, assim com vontade de me dissolver em prantos quando alguém me deixa viver em seu peito, mas não aparece pra viver no meu. É como se esse alguém quisesse me dizer que tudo bem eu sentir isso, mas que não é pra sempre. Que há outras pessoas. Que há outras vontades. Outros amores. Que eu sou apenas isso: uma estrela que você olha enquanto seus sonhos ainda são alcançáveis, mas que quando eles fogem da sua percepção, você olha pra outra estrela que possa fazê-las revivê-los. Parece que é só assim que eu posso ser, suficiente para os outros enquanto os convêm. Eu não sei por que não paro de brilhar contra suas janelas trancadas. E pego carona na rajada que o universo vez ou outra oferece. Talvez seja pelo fato que o pouco que eles me dão, seja muito no meu mundo. Se você aparecer um dia dizendo que sentiu minha falta, isso já é motivo suficiente para eu sentir sua falta a cada segundo dos próximos dias, mesmo que você não apareça mais. Porque eu sou o extremo. Eu sou, como dizem? Infinito. Eu sempre serei tudo por você, mesmo que a minha luz não atrai mais a sua atenção. Até o dia em que eu desaparecer do céu.
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